{"id":11961,"date":"2021-05-07T23:17:00","date_gmt":"2021-05-07T23:17:00","guid":{"rendered":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/?p=11961"},"modified":"2022-12-06T23:29:19","modified_gmt":"2022-12-06T23:29:19","slug":"nas-redes-moradores-do-jacarezinho-relatam-drama-e-apontam-excessos-da-policia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/2021\/05\/07\/nas-redes-moradores-do-jacarezinho-relatam-drama-e-apontam-excessos-da-policia\/","title":{"rendered":"Nas redes, moradores do Jacarezinho relatam drama e apontam excessos da pol\u00edcia"},"content":{"rendered":"<p>Moradores relataram, nas redes sociais, que houve abuso policial na a\u00e7\u00e3o que ocorreu na manh\u00e3 de quinta-feira, 6, na favela do Jacarezinho, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro. As den\u00fancias v\u00e3o desde invas\u00e3o de resid\u00eancias e confisco de celulares at\u00e9 execu\u00e7\u00e3o de pessoas e descaracteriza\u00e7\u00e3o das cenas onde houve mortes. Na interven\u00e7\u00e3o realizada pela Pol\u00edcia Civil, 25 pessoas morreram, entre elas um policial e 24 moradores. A a\u00e7\u00e3o \u00e9 a mais letal da hist\u00f3ria do Rio.<\/p>\n<p>No twitter, circularam fotos de um rapaz sentado em uma cadeira roxa, com a m\u00e3o na boca e com v\u00e1rios tiros no corpo. Questionado sobre a imagem em coletiva de imprensa realizada na quinta-feira, 6, o delegado Fabr\u00edcio de Oliveira, \u00e0 frente da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e que participou da interven\u00e7\u00e3o, confirmou que a imagem era de um dos mortos, mas disse que as circunst\u00e2ncias em que ela foi feita ser\u00e3o apuradas.<\/p>\n<p>Para o advogado criminalista Joel Luiz Costa, que coordena o Instituto de Defesa da Popula\u00e7\u00e3o Negra (IDPN) e \u00e9 morador do Jacarezinho h\u00e1 32 anos, esse \u00e9 um caso em que \u00e9 poss\u00edvel verificar ind\u00edcios de execu\u00e7\u00e3o. &#8220;O rapaz tem um tiro na altura do t\u00f3rax e tem um buraco na mesma altura da cadeira, ent\u00e3o em algum momento houve tiro naquela cadeira&#8221;, disse ao Estad\u00e3o.<\/p>\n<p>Costa, que circulou pela favela e visitou casas de moradores, afirmou que viu um cen\u00e1rio de guerra. &#8220;Descaracterizaram a cena do crime, removeram cad\u00e1ver, alteraram as coisas de lugar, o que dificulta a per\u00edcia&#8221;, disse. Desde a quinta-feira, 6, o advogado tem compartilhado v\u00eddeos e informes no Twitter, questionando se o n\u00famero de mortes acabou com o tr\u00e1fico de drogas no Jacarezinho.<\/p>\n<p>Segundo os moradores, policiais entraram na casa e mataram um homem desarmado dentro do quarto de uma menina de 9 anos, que testemunhou a cena. No colch\u00e3o, no piso e nas paredes, ficaram as marcas de sangue e restos de massa encef\u00e1lica.<\/p>\n<p>A ONG Rio de Paz, que estava na favela do Jacarezinho fazendo entrega de alimentos quando a a\u00e7\u00e3o policial come\u00e7ou, acompanhou a Defensoria P\u00fablica do Estado e outras institui\u00e7\u00f5es durante visita \u00e0s resid\u00eancias ap\u00f3s o t\u00e9rmino da opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Foi um derramamento de sangue dentro da comunidade. Muito sangue, muita destrui\u00e7\u00e3o de patrim\u00f4nio, im\u00f3veis. Visitei algumas casas, vi alguns moradores e os relatos eram de que pessoas foram mortas em ambientes das resid\u00eancias&#8221;, contou ao Estad\u00e3o o coordenador de projetos do Rio de Paz, Lucas Louback. &#8220;Corpos que n\u00e3o estavam nas casas, pessoas muito assustadas. Crian\u00e7as presenciando isso foi algo que particularmente me chocou&#8221;.<\/p>\n<p>Em um v\u00eddeo publicado no Twitter, uma moradora grava os policiais em a\u00e7\u00e3o. &#8220;Tem uns meninos que est\u00e3o encurralados na casa querendo se entregar e os pol\u00edcias querem matar eles, inclusive mataram uns na nossa frente&#8221;, diz a mulher. Outra postagem no Twitter mostra que uma senhora teve a casa invadida por policiais civis ap\u00f3s homens que seriam traficantes se esconderem em sua casa. Um deles foi baleado e morto no local.<\/p>\n<p>Outro morador publicou um v\u00eddeo em que pessoas da comunidade limpam o sangue que ficou na rua. &#8220;Hoje levantei e meu despertador foi o barulho do helic\u00f3ptero &#8230; tentei assistir aula da faculdade e n\u00e3o consegui, resolvi ir pra rua mesmo sem saber o que fazer pra ajudar. Presenciei o momento mais triste da minha vida, m\u00e3es chorando a perda dos seus filhos, casas e lojas invadidas e sonhos que j\u00e1 n\u00e3o mais v\u00e3o se realizar&#8221;, escreveu no Instagram.<\/p>\n<p>Alguns moradores levantam a hip\u00f3tese de uma &#8220;Opera\u00e7\u00e3o de Vingan\u00e7a&#8221;, conhecida como um ataque da pol\u00edcia ap\u00f3s a morte de um policial em a\u00e7\u00e3o, que pode ocorrer no mesmo dia ou nos dias seguintes ao da baixa do agente de seguran\u00e7a. De acordo com Joel Luiz da Costa, esse tipo de a\u00e7\u00e3o tem uma taxa de letalidade de tr\u00eas a quatro vezes maior do que a taxa m\u00e9dia de mortalidade nas opera\u00e7\u00f5es feitas pela pol\u00edcia no Rio.<\/p>\n<p>&#8220;Como o policial que morreu veio a \u00f3bito bem no in\u00edcio da opera\u00e7\u00e3o, tudo o que aconteceu a posteriori foi um derramamento de sangue para vingar a morte de um policial, que certamente \u00e9 uma morte que deve ser investigada, que rompe com uma fam\u00edlia, mas que em nada justifica qualquer tipo de arbitrariedade posteriormente executada pela pol\u00edcia&#8221;, afirmou Costa.<\/p>\n<h3><strong>Quais s\u00e3o os protocolos da opera\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/h3>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), a Human Rights Watch, a ONG Rio de Paz e a Defensoria P\u00fablica do Rio de Janeiro, entre outras institui\u00e7\u00f5es, j\u00e1 questionaram quais s\u00e3o os protocolos de seguran\u00e7a de uma opera\u00e7\u00e3o policial como a que ocorreu no Jacarezinho.<\/p>\n<p>Segundo um estudo divulgado no m\u00eas passado pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (GENI\/UFF), as opera\u00e7\u00f5es policiais no Rio de 2007 a 2020 t\u00eam apenas 1,7% de efici\u00eancia. O \u00edndice foi criado considerando o que embasou a opera\u00e7\u00e3o, o n\u00famero de apreens\u00f5es e a quantidade de mortos. Uma boa opera\u00e7\u00e3o seria aquela embasada pela Justi\u00e7a, com muitas apreens\u00f5es e poucas mortes.<\/p>\n<p>Batizada de Opera\u00e7\u00e3o Exceptis, a incurs\u00e3o tinha como intuito prender traficantes do Comando Vermelho, fac\u00e7\u00e3o que comanda o Jacarezinho. No saldo final, entretanto, n\u00e3o houve nenhum preso.<\/p>\n<h3><strong>Excessos policiais ser\u00e3o investigados<\/strong><\/h3>\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico do Rio de Janeiro (MP-RJ), que monitora a a\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Civil, disse que vai apurar o excesso policial no Jacarezinho. Relatos de abusos chegaram por meio do Plant\u00e3o Permanente criado pela institui\u00e7\u00e3o. Segundo a Procuradoria, o MP ficou sabendo da interven\u00e7\u00e3o por not\u00edcias e redes sociais. O aviso de que haveria uma opera\u00e7\u00e3o policial no Jacarezinho foi feito \u00e0s 9h, quase 3h depois do in\u00edcio da invas\u00e3o.<\/p>\n<p>Em junho do ano passado, o ministro Edson Fachin do Supremo Tribunal Federal (STF) limitou interven\u00e7\u00f5es policiais em favelas na pandemia, restringindo a casos excepcionais. A defini\u00e7\u00e3o prev\u00ea que as opera\u00e7\u00f5es sejam informadas previamente \u00e0s autoridades competentes.<\/p>\n<p>Embora ainda falte identificar oficialmente seis v\u00edtimas, a Pol\u00edcia Civil reiterou que &#8220;todos os mortos durante a a\u00e7\u00e3o tinham antecedentes criminais e eram envolvidos com atividades criminosas&#8221; e que &#8220;o \u00fanico executado (durante a opera\u00e7\u00e3o) foi o inspetor de Pol\u00edcia Andr\u00e9 Leonardo de Mello Frias&#8221;, morto por criminosos no in\u00edcio da opera\u00e7\u00e3o. At\u00e9 as 16h30 desta sexta-feira n\u00e3o havia sido divulgada nenhuma lista oficial com os nomes dos mortos.<\/p>\n<p><small>Mat\u00e9ria publicada no <a href=\"https:\/\/www.dgabc.com.br\/Noticia\/3710724\/nas-redes-moradores-do-jacarezinho-relatam-drama-e-apontam-excessos-da-policia\">Di\u00e1rio do Grande ABC<\/a>.<\/small><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Moradores relataram, nas redes sociais, que houve abuso policial na a\u00e7\u00e3o que ocorreu na manh\u00e3 de quinta-feira, 6, na favela do Jacarezinho, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro. As den\u00fancias v\u00e3o desde invas\u00e3o de resid\u00eancias e confisco de celulares at\u00e9 execu\u00e7\u00e3o de pessoas e descaracteriza\u00e7\u00e3o das cenas onde houve mortes. Na interven\u00e7\u00e3o realizada pela Pol\u00edcia Civil, 25 pessoas morreram, entre elas um policial e 24 moradores. A a\u00e7\u00e3o \u00e9 a mais letal da hist\u00f3ria do Rio. No twitter, circularam fotos de um rapaz sentado em uma cadeira roxa, com a m\u00e3o na boca e com v\u00e1rios tiros no corpo. Questionado sobre a imagem em coletiva de imprensa realizada na quinta-feira, 6, o delegado Fabr\u00edcio de Oliveira, \u00e0 frente da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e que participou da interven\u00e7\u00e3o, confirmou que a imagem era de um dos mortos, mas disse que as circunst\u00e2ncias em que ela foi feita ser\u00e3o apuradas. Para o advogado criminalista Joel Luiz Costa, que coordena o Instituto de Defesa da Popula\u00e7\u00e3o Negra (IDPN) e \u00e9 morador do Jacarezinho h\u00e1 32 anos, esse \u00e9 um caso em que \u00e9 poss\u00edvel verificar ind\u00edcios de execu\u00e7\u00e3o. &#8220;O rapaz tem um tiro na altura do t\u00f3rax e tem um buraco na mesma altura da cadeira, ent\u00e3o em algum momento houve tiro naquela cadeira&#8221;, disse ao Estad\u00e3o. Costa, que circulou pela favela e visitou casas de moradores, afirmou que viu um cen\u00e1rio de guerra. &#8220;Descaracterizaram a cena do crime, removeram cad\u00e1ver, alteraram as coisas de lugar, o que dificulta a per\u00edcia&#8221;, disse. Desde a quinta-feira, 6, o advogado tem compartilhado v\u00eddeos e informes no Twitter, questionando se o n\u00famero de mortes acabou com o tr\u00e1fico de drogas no Jacarezinho. Segundo os moradores, policiais entraram na casa e mataram um homem desarmado dentro do quarto de uma menina de&#8230; <\/p>\n<p><a class=\"readmore\" href=\"https:\/\/institutodpn.org\/website\/2021\/05\/07\/nas-redes-moradores-do-jacarezinho-relatam-drama-e-apontam-excessos-da-policia\/\">Continuar lendo<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false},"categories":[17],"tags":[24],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11961"}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11961"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11961\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11962,"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11961\/revisions\/11962"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11961"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11961"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11961"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}