{"id":11957,"date":"2021-05-06T23:17:00","date_gmt":"2021-05-06T23:17:00","guid":{"rendered":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/?p=11957"},"modified":"2022-12-07T00:24:39","modified_gmt":"2022-12-07T00:24:39","slug":"rio-de-janeiro-pelo-menos-25-mortos-na-mais-mortifera-batida-policial-da-cidade-na-favela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/2021\/05\/06\/rio-de-janeiro-pelo-menos-25-mortos-na-mais-mortifera-batida-policial-da-cidade-na-favela\/","title":{"rendered":"Rio de Janeiro: pelo menos 25 mortos na mais mort\u00edfera batida policial da cidade na favela"},"content":{"rendered":"<p>Pelo menos 25 pessoas foram mortas depois que policiais fortemente armados invadiram uma das maiores favelas do Rio de Janeiro em busca de traficantes de drogas, no que foi o ataque mais mort\u00edfero da hist\u00f3ria da cidade.<\/p>\n<p>Cerca de 200 membros da pol\u00edcia civil do Rio lan\u00e7aram sua incurs\u00e3o em Jacarezinho nas primeiras horas da quinta-feira, correndo para a vasta comunidade de tijolos vermelhos enquanto um helic\u00f3ptero \u00e0 prova de balas circulava acima com atiradores posicionados de cada lado. Na hora do almo\u00e7o , pelo menos 25 pessoas foram mortas , entre elas Andr\u00e9 Frias, um policial antidrogas que foi baleado na cabe\u00e7a. A pol\u00edcia e a m\u00eddia local descreveram as outras v\u00edtimas como \u201csuspeitas\u201d, mas n\u00e3o ofereceram nenhuma evid\u00eancia imediata para essa afirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fotografias e v\u00eddeos feitos por moradores e compartilhados com o Guardian mostraram cad\u00e1veres ensanguentados espalhados nas vielas estreitas da favela e ao lado do rio altamente polu\u00eddo que d\u00e1 nome ao Jacarezinho. O corpo sem vida de um jovem estava apoiado em uma cadeira de jardim de pl\u00e1stico roxo, com um dedo colocado dentro da boca.<\/p>\n<p>Policiais e suas l\u00edderes de torcida na imprensa sensacionalista do Rio comemoraram a miss\u00e3o como um ataque essencial contra as gangues de drogas que por d\u00e9cadas usaram as favelas como suas bases. \u201cSeria \u00f3timo se a pol\u00edcia pudesse lan\u00e7ar duas opera\u00e7\u00f5es como esta todos os dias para libertar o Rio de Janeiro dos traficantes, ou pelo menos reduzir seu poder\u201d, disse o apresentador do Balan\u00e7o Geral, um popular programa policial de televis\u00e3o, aos telespectadores saudando o que ele chamado de greve \u201ccir\u00fargica\u201d.<\/p>\n<p>Mas houve indigna\u00e7\u00e3o de ativistas de direitos humanos e especialistas em seguran\u00e7a p\u00fablica quando a escala da carnificina ficou clara.<\/p>\n<p><span>\u201c\u00c9 exterm\u00ednio \u2013 n\u00e3o tem como descrever\u201d, disse Pedro Paulo Santos Silva, pesquisador do Centro de Estudos de Seguran\u00e7a P\u00fablica e Cidadania do Rio.\u00a0<\/span><span>\u201cIsso foi um massacre.\u201d<\/span><\/p>\n<p>Pablo Nunes, um especialista em seguran\u00e7a p\u00fablica do mesmo grupo, disse que o ataque matou mais do que um dos massacres mais not\u00f3rios da hist\u00f3ria do Rio: o massacre de Vig\u00e1rio Geral em 1993, no qual 21 pessoas foram mortas a tiros quando a pol\u00edcia invadiu uma favela ao norte de Jacarezinho. \u201c\u00c9 inacredit\u00e1vel, desprez\u00edvel\u201d, disse Nunes.<\/p>\n<p>Joel Luiz Costa, advogado e ativista nascido em Jacarezinho, disse que em mais de tr\u00eas d\u00e9cadas na favela nunca havia visto tanto derramamento de sangue. \u201cFoi um massacre completo\u201d, disse Costa, que compartilhou imagens perturbadoras do rescaldo nas redes sociais. \u201cHoje foi assustador at\u00e9 para n\u00f3s que trabalhamos com seguran\u00e7a p\u00fablica&#8230; A \u00fanica conclus\u00e3o que se pode tirar \u00e9 que nas favelas n\u00e3o tem democracia.\u201d<\/p>\n<p>Antes de quinta-feira, a opera\u00e7\u00e3o policial mais letal do Rio havia ocorrido em 2007, quando 19 pessoas perderam a vida durante uma batida na comunidade vizinha do Complexo do Alem\u00e3o.<\/p>\n<p>Localizada na zona norte do Rio, a 20 minutos de carro da praia de Ipanema, Jacarezinho \u00e9 o lar de dezenas de milhares de brasileiros da classe trabalhadora e h\u00e1 muito tempo \u00e9 um basti\u00e3o de uma das organiza\u00e7\u00f5es criminosas mais importantes do Brasil, o Comando Vermelho.<\/p>\n<p>As d\u00e9cadas de guerra contra as drogas no Rio \u2013 que se intensifica desde meados da d\u00e9cada de 1980 e tira milhares de vidas a cada ano \u2013 n\u00e3o fez nada para mudar essa realidade, com as ruas do Jacarezinho policiadas pelos pistoleiros armados da quadrilha e barricadas com blocos de concreto e barricadas improvisado em trilhos de trem.<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o de quinta-feira, que a pol\u00edcia disse ser para evitar que crian\u00e7as e adolescentes sejam atra\u00eddos para o crime, ocorreu apesar de uma ordem da Suprema Corte em junho passado proibir tais incurs\u00f5es durante a pandemia de coronav\u00edrus. O n\u00famero de opera\u00e7\u00f5es policiais nas favelas caiu drasticamente ap\u00f3s essa decis\u00e3o, mas voltou a aumentar desde outubro passado. N\u00fameros divulgados recentemente mostram que a pol\u00edcia matou 797 pessoas no estado do Rio entre junho do ano passado e mar\u00e7o, a maioria esmagadora na capital ou nos arredores.<\/p>\n<p><span>Santos Silva disse que a guerra contra as drogas em sua cidade foi eficaz quando se trata de matar, mas n\u00e3o fez nada para proteger os cidad\u00e3os ou reduzir o crime.\u00a0<\/span><span>\u201c\u00c9 repugnante\u201d, disse ele sobre as fotos que mostram as ruas de Jacarezinho repletas de cad\u00e1veres.<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cIndependentemente de serem &#8216;traficantes&#8217; ou moradores, s\u00e3o vidas, s\u00e3o corpos \u2013 o filho de algu\u00e9m, o irm\u00e3o de algu\u00e9m\u201d, acrescentou Santos Silva.\u00a0<\/span><span>\u201cN\u00e3o h\u00e1 como olhar para essas fotos e n\u00e3o querer chorar sobre o qu\u00e3o doente nossa sociedade est\u00e1.\u201d<\/span><\/p>\n<p><small>Mat\u00e9ria publicada originalmente pelo <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/world\/2021\/may\/06\/rio-de-janeiro-police-raid-favela-jacarezinho\">The Guardian<\/a>. Tradu\u00e7\u00e3o: Google Tradutor.<\/small><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo menos 25 pessoas foram mortas depois que policiais fortemente armados invadiram uma das maiores favelas do Rio de Janeiro em busca de traficantes de drogas, no que foi o ataque mais mort\u00edfero da hist\u00f3ria da cidade. Cerca de 200 membros da pol\u00edcia civil do Rio lan\u00e7aram sua incurs\u00e3o em Jacarezinho nas primeiras horas da quinta-feira, correndo para a vasta comunidade de tijolos vermelhos enquanto um helic\u00f3ptero \u00e0 prova de balas circulava acima com atiradores posicionados de cada lado. Na hora do almo\u00e7o , pelo menos 25 pessoas foram mortas , entre elas Andr\u00e9 Frias, um policial antidrogas que foi baleado na cabe\u00e7a. A pol\u00edcia e a m\u00eddia local descreveram as outras v\u00edtimas como \u201csuspeitas\u201d, mas n\u00e3o ofereceram nenhuma evid\u00eancia imediata para essa afirma\u00e7\u00e3o. Fotografias e v\u00eddeos feitos por moradores e compartilhados com o Guardian mostraram cad\u00e1veres ensanguentados espalhados nas vielas estreitas da favela e ao lado do rio altamente polu\u00eddo que d\u00e1 nome ao Jacarezinho. O corpo sem vida de um jovem estava apoiado em uma cadeira de jardim de pl\u00e1stico roxo, com um dedo colocado dentro da boca. Policiais e suas l\u00edderes de torcida na imprensa sensacionalista do Rio comemoraram a miss\u00e3o como um ataque essencial contra as gangues de drogas que por d\u00e9cadas usaram as favelas como suas bases. \u201cSeria \u00f3timo se a pol\u00edcia pudesse lan\u00e7ar duas opera\u00e7\u00f5es como esta todos os dias para libertar o Rio de Janeiro dos traficantes, ou pelo menos reduzir seu poder\u201d, disse o apresentador do Balan\u00e7o Geral, um popular programa policial de televis\u00e3o, aos telespectadores saudando o que ele chamado de greve \u201ccir\u00fargica\u201d. Mas houve indigna\u00e7\u00e3o de ativistas de direitos humanos e especialistas em seguran\u00e7a p\u00fablica quando a escala da carnificina ficou clara. \u201c\u00c9 exterm\u00ednio \u2013 n\u00e3o tem como descrever\u201d, disse Pedro Paulo Santos Silva, pesquisador do Centro de Estudos de&#8230; <\/p>\n<p><a class=\"readmore\" href=\"https:\/\/institutodpn.org\/website\/2021\/05\/06\/rio-de-janeiro-pelo-menos-25-mortos-na-mais-mortifera-batida-policial-da-cidade-na-favela\/\">Continuar lendo<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false},"categories":[17],"tags":[24],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11957"}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11957"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11957\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11968,"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11957\/revisions\/11968"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11957"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11957"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11957"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}