{"id":11942,"date":"2021-06-19T07:46:00","date_gmt":"2021-06-19T07:46:00","guid":{"rendered":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/?p=11942"},"modified":"2022-11-01T20:14:44","modified_gmt":"2022-11-01T20:14:44","slug":"professor-juventude-sempre-foi-a-ponta-de-lanca-pra-derrubar-autoritarismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/2021\/06\/19\/professor-juventude-sempre-foi-a-ponta-de-lanca-pra-derrubar-autoritarismo\/","title":{"rendered":"Professor: &#8220;Juventude sempre foi a ponta de lan\u00e7a pra derrubar autoritarismo&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Quem v\u00ea um grande baob\u00e1-africano, que pode atingir at\u00e9 30 metros e tem o tronco maci\u00e7o, talvez n\u00e3o lembre \u00e0 primeira vista que a frondosa \u00e1rvore um dia foi uma pequena semente que germinou no solo. Esse foi o estopim para uma reflex\u00e3o sobre juventudes proposta por Aquataluxe Rodrigues, conselheira do Olodum, criadora do Neg\u00f3cios de Rainhas e do Trocando Ideias, no lan\u00e7amento do relat\u00f3rio &#8220;Mapeamento sobre Juventudes, Democracia e Inova\u00e7\u00f5es Sociais na Am\u00e9rica&#8221; durante debate promovido por Ashoka e Ecoa na quinta (17).<\/p>\n<p>&#8220;Sem a juventude, sem essa for\u00e7a motora, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ter sociedade. Sou nordestina, sou uma mulher negra, venho dessa cultura do universo popular, de que n\u00e3o existe o futuro sem o mais novo e sem o mais velho estar ensinando. Acreditamos no baob\u00e1, nesse poder da semente que se tornar\u00e1 arvore&#8221;, disse Rodrigues.<\/p>\n<p>Ela \u00e9 uma de dez jovens Transformadores pela Democracia reconhecidos pela Ashoka, organiza\u00e7\u00e3o idealizadora do estudo, que fez parte da live, mediada por Leonardo Sakamoto. O mapeamento ouviu 123 empreendedores sociais e uma rede de 32 jovens da Am\u00e9rica Latina para identificar as principais barreiras e caracter\u00edsticas das juventudes na inclus\u00e3o dos espa\u00e7os de tomada de decis\u00e3o e abrir outros desdobramentos que t\u00eam como foco uma sociedade equitativa.<\/p>\n<p>Para o jovem Bruno Souza, integrante do N\u00facleo de Jovens Pol\u00edticos do Jardim Vera Cruz e do Coletivo Encrespados, que tamb\u00e9m fez parte do debate, h\u00e1 muitas barreiras que excluem jovens de um papel de decis\u00e3o em espa\u00e7os mais institucionalizados.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 locais e espa\u00e7os que as pessoas s\u00f3 de olhar para a nossa cara questionam se temos a idade e o curr\u00edculo suficientes para estarmos presentes. Precisamos pensar em outras ideias de intervir nesses espa\u00e7os mais institucionais&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>Respondendo a provoca\u00e7\u00f5es de Sakamoto, Souza lembrou que uma das principais capacidades das juventudes \u00e9 sonhar e o quanto isso \u00e9 importante para mudar cen\u00e1rios. &#8220;Essa capacidade de sonhar e de criar met\u00e1foras n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sobre nos distanciarmos da realidade dura, mas de repensarmos o mundo em que vivemos&#8221;, disse.<\/p>\n<h3><strong>Juventude encabe\u00e7ando mudan\u00e7as para 2022<\/strong><\/h3>\n<p>Ao redor de todo o mundo \u00e9 comum encontrar sempre a imagem e a participa\u00e7\u00e3o de jovens em movimentos que pedem mudan\u00e7as sociais, ainda que estes, estejam afastados em n\u00famero das esferas institucionais.<\/p>\n<p>Esse pensamento foi um dos destaques das falas de Wesley Teixeira, professor, idealizador do Movimenta Caxias e integrante da coluna PerifaConnection, que a pedido de Sakamoto, explicou sobre a import\u00e2ncia da juventude nas elei\u00e7\u00f5es de 2022 a partir de um olhar hist\u00f3rico do papel desse grupo no campo pol\u00edtico e de como a presen\u00e7a dos jovens sempre esteve ligada a fortes movimentos de disrup\u00e7\u00e3o de sociedades e processos autorit\u00e1rios. E deu como exemplos os protestos Black Lives Matter nos EUA e os movimentos de ocupa\u00e7\u00e3o estudantil nas escolas no Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos disputando uma gera\u00e7\u00e3o, essas elei\u00e7\u00f5es ser\u00e3o sobre a constitui\u00e7\u00e3o de 88, entre civilidade e barb\u00e1rie. Tem uma juventude que ajudou isso que est\u00e1 no poder. Foi fundamental a participa\u00e7\u00e3o da juventude negra no movimento Black Lives Matter para derrubar o Trump e no Brasil n\u00e3o ser\u00e1 diferente. A juventude sempre foi ponta de lan\u00e7a para derrubar o autoritarismo no mundo&#8221;, avaliou.<\/p>\n<p>Mariana Belmont, jornalista e colunista de Ecoa, que faz parte da Rede Jornalistas das Periferias e da Uneafro Brasil, enfatizou que para criar canais de comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso fincar o p\u00e9 e buscar ainda mais os lugares de direito da juventude, sobretudo, das parcelas sistematicamente exclu\u00eddas.<\/p>\n<p>&#8220;As institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o preparadas para essa narrativa dos territ\u00f3rios. H\u00e1 a desconfian\u00e7a de que n\u00e3o vai dar certo, porque esse espa\u00e7o \u00e9 ocupado por homens brancos e quando veem um jovem com outro olhar, com um olhar popular, gera desconfian\u00e7a e parece que estamos disputando com eles&#8221; disse Belmont.<\/p>\n<p>&#8220;Ocupar esse espa\u00e7o como ocupo, em organiza\u00e7\u00f5es, s\u00f3 refor\u00e7a o quanto precisamos pressionar e enfiar o p\u00e9 na porta, o espa\u00e7o da comunica\u00e7\u00e3o e do jornalismo precisa beber mais dos espa\u00e7os perif\u00e9ricos e do que vem desses territ\u00f3rios&#8221;, completou.<\/p>\n<p>Ivana Bentes, professora titular da Escola de Comunica\u00e7\u00e3o da UFRJ e Pr\u00f3-Reitora de Extens\u00e3o na mesma universidade, que participou da mesa como convidada, trouxe uma reflex\u00e3o sobre a pot\u00eancia dos territ\u00f3rios e a necessidade de se repensar a ideia de constru\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 poss\u00edvel reconstruir o mundo a partir de qualquer lugar que se esteja, voc\u00ea acha que deve chegar em algum lugar no mundo [antes], mas se pode mudar de onde est\u00e1&#8221;, avaliou.<\/p>\n<p>&#8220;Vemos isso no Youtube, claro que precisamos de processos de forma\u00e7\u00e3o longos, mas isso tamb\u00e9m \u00e9 muito importante. Jovens aprendem e j\u00e1 repassam esse conhecimento adiante. Temos propostas de a\u00e7\u00f5es que s\u00e3o do territ\u00f3rio, que n\u00e3o v\u00e3o esperar as grandes institui\u00e7\u00f5es, claro n\u00e3o queremos perder o espa\u00e7o nelas, mas j\u00e1 tem algo saindo localmente. Falamos muito do &#8216;do it yourself&#8217;, mas hoje a onda \u00e9: fa\u00e7a junto, \u00e9 mais pr\u00e1tico e mais veloz&#8221;, completou.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, a jovem historiadora e bacharel em direito Isabela da Cruz, ativista pela promo\u00e7\u00e3o dos direitos das popula\u00e7\u00f5es quilombolas, que participou da mesa e passava por dificuldades de conex\u00e3o, exemplificou a necessidade de uni\u00e3o e a\u00e7\u00e3o cont\u00ednua para ocupar os espa\u00e7os pol\u00edticos. &#8220;A participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica se d\u00e1 em meio \u00e0 luta. \u00c9 assim que conquistamos direitos, uma empresta celular, outra cuida do beb\u00ea&#8221;, disse Cruz revelando as barreiras enfrentadas para se comunicar e participar do debate.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m participaram da mesa como Jovens Transformadores pela Democracia: Ana Paula Freitas, coordenadora de programas da Rede Liberdade e co-Fundadora do Instituto de Defesa da Popula\u00e7\u00e3o Negra, Juliana Marques, conselheira do Data_labe e idealizadora do Movimento Mulheres Negras Decidem, Iago Hairon, ativista clim\u00e1tico, conselheiro do Engajamundo e vice-presidente da Plant-for-the-Planet Brasil, Ednei Arapiun, Coordenador do Conselho Ind\u00edgena Tapaj\u00f3s Arapiuns e Gelson Henrique, cientista social e idealizador do projeto CIJoga. E como convidados da mesa: Helena Singer, l\u00edder de estrat\u00e9gia e de juventude da Ashoka.<\/p>\n<p><small>Mat\u00e9ria publicada originalmente pelo <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/ecoa\/ultimas-noticias\/2021\/06\/19\/professor-juventude-sempre-foi-ponta-de-lanca-pra-derrubar-autoritarismo.htm\">Uol\/Ecoa<\/a>. Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Arquivo Pessoal.<\/small><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem v\u00ea um grande baob\u00e1-africano, que pode atingir at\u00e9 30 metros e tem o tronco maci\u00e7o, talvez n\u00e3o lembre \u00e0 primeira vista que a frondosa \u00e1rvore um dia foi uma pequena semente que germinou no solo. Esse foi o estopim para uma reflex\u00e3o sobre juventudes proposta por Aquataluxe Rodrigues, conselheira do Olodum, criadora do Neg\u00f3cios de Rainhas e do Trocando Ideias, no lan\u00e7amento do relat\u00f3rio &#8220;Mapeamento sobre Juventudes, Democracia e Inova\u00e7\u00f5es Sociais na Am\u00e9rica&#8221; durante debate promovido por Ashoka e Ecoa na quinta (17). &#8220;Sem a juventude, sem essa for\u00e7a motora, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ter sociedade. Sou nordestina, sou uma mulher negra, venho dessa cultura do universo popular, de que n\u00e3o existe o futuro sem o mais novo e sem o mais velho estar ensinando. Acreditamos no baob\u00e1, nesse poder da semente que se tornar\u00e1 arvore&#8221;, disse Rodrigues. Ela \u00e9 uma de dez jovens Transformadores pela Democracia reconhecidos pela Ashoka, organiza\u00e7\u00e3o idealizadora do estudo, que fez parte da live, mediada por Leonardo Sakamoto. O mapeamento ouviu 123 empreendedores sociais e uma rede de 32 jovens da Am\u00e9rica Latina para identificar as principais barreiras e caracter\u00edsticas das juventudes na inclus\u00e3o dos espa\u00e7os de tomada de decis\u00e3o e abrir outros desdobramentos que t\u00eam como foco uma sociedade equitativa. Para o jovem Bruno Souza, integrante do N\u00facleo de Jovens Pol\u00edticos do Jardim Vera Cruz e do Coletivo Encrespados, que tamb\u00e9m fez parte do debate, h\u00e1 muitas barreiras que excluem jovens de um papel de decis\u00e3o em espa\u00e7os mais institucionalizados. &#8220;H\u00e1 locais e espa\u00e7os que as pessoas s\u00f3 de olhar para a nossa cara questionam se temos a idade e o curr\u00edculo suficientes para estarmos presentes. Precisamos pensar em outras ideias de intervir nesses espa\u00e7os mais institucionais&#8221;, explicou. Respondendo a provoca\u00e7\u00f5es de Sakamoto, Souza lembrou que uma das principais capacidades das juventudes \u00e9 sonhar&#8230; <\/p>\n<p><a class=\"readmore\" href=\"https:\/\/institutodpn.org\/website\/2021\/06\/19\/professor-juventude-sempre-foi-a-ponta-de-lanca-pra-derrubar-autoritarismo\/\">Continuar lendo<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":11943,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false},"categories":[17],"tags":[24],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11942"}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11942"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11942\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11944,"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11942\/revisions\/11944"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11943"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11942"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11942"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11942"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}