{"id":11915,"date":"2021-09-16T10:53:00","date_gmt":"2021-09-16T10:53:00","guid":{"rendered":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/?p=11915"},"modified":"2022-11-01T00:02:48","modified_gmt":"2022-11-01T00:02:48","slug":"mototaxista-e-solto-apos-ficar-um-mes-preso-por-engano-no-rio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/2021\/09\/16\/mototaxista-e-solto-apos-ficar-um-mes-preso-por-engano-no-rio\/","title":{"rendered":"Mototaxista \u00e9 solto ap\u00f3s ficar um m\u00eas preso por engano no Rio"},"content":{"rendered":"<h4><strong>Alexandre dos Reis, de 23 anos, foi reconhecido por retrato 3&#215;4 de mais de 10 anos atr\u00e1s como sendo um dos participantes de um tiroteio no Morro da Provid\u00eancia em 2020.<\/strong><\/h4>\n<p>O mototaxista Alexandre dos Reis Pereira Camargo deixou a cadeia nesta quinta-feira (16). Ele, que tem 23 anos, ficou preso injustamente por um m\u00eas.<\/p>\n<p>A pris\u00e3o de Alexandre tinha sido revogada na v\u00e9spera pelo desembargador Paulo Rangel, da Terceira C\u00e2mara Criminal do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>O jovem foi preso no dia 10 de agosto desse ano ap\u00f3s reconhecimento fotogr\u00e1fico apontar que ele seria um dos traficantes que teria trocado tiros no dia 9 de julho de 2020, no Morro da Provid\u00eancia, na Regi\u00e3o Central do Rio.<\/p>\n<p>A foto que embasou o reconhecimento \u00e9 a da carteira de identidade de Alexandre, que foi parar no livro de identifica\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Civil do Rio de Janeiro, e tirada quando ele tinha 12 anos.<\/p>\n<blockquote><p><em>H\u00e1 d\u00favidas quanto ao reconhecimento efetuado, eis que os fatos ocorreram \u00e0 noite, em uma situa\u00e7\u00e3o de extrema tens\u00e3o e a foto utilizada para reconhecimento seria de uma carteira de identidade expedida h\u00e1 10 anos atr\u00e1s. Ademais, n\u00e3o consta a origem do documento, nem o motivo pelo qual tal foto passou a constar no \u00e1lbum de pessoas suspeitas da Pol\u00edcia Civil. Da mesma forma, o paciente foi preso em uma cl\u00ednica vinculada ao DETRAN\/RJ, em Santa Cruz, perto de onde reside, para renova\u00e7\u00e3o de CNH, fato improv\u00e1vel para um traficante da periculosidade que se mostra nos autos<\/em>\u201d, escreveu o desembargador aceitando a tese da defesa de Alexandre.<\/p><\/blockquote>\n<p>Apesar a liberdade provis\u00f3ria conseguida, Alexandre ainda ter\u00e1 que responder ao processo judicial e se apresentar todo m\u00eas \u00e0 Justi\u00e7a durante a condu\u00e7\u00e3o do caso.<\/p>\n<p>\u201cEsse caso \u00e9 muito s\u00e9rio, mas n\u00e3o podemos achar culpados onde n\u00e3o existem. O Alexandre foi reconhecido por uma foto de mais 10 anos atr\u00e1s, que n\u00e3o sabemos como foi parar no livro da policial, \u00e9 morador de Santa Cruz, que fica h\u00e1 60 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia do local do confronto, e nunca teve passagem pela pol\u00edcia, nem como v\u00edtima de qualquer crime\u201d, explica o advogado Tiago Monsores, que representa o mototaxista.<\/p>\n<h3><strong>M\u00e3e vendeu geladeira e moto para ajudar o filho<\/strong><\/h3>\n<p>O reconhecimento fotogr\u00e1fico e o processo em que \u00e9 acusado de homic\u00eddio qualificado e crime tentado renderam outras consequ\u00eancias na vida de Alexandre.<\/p>\n<p>Com o sal\u00e1rio de mototaxista, era ele quem ajudava a manter a casa da m\u00e3e, Alessandra dos Reis, e sustentava a mulher Vanessa Kaiber, que est\u00e1 gr\u00e1vida de sete meses da primeira filha do casal.<\/p>\n<p>Com a pris\u00e3o do marido, ela foi morar com os av\u00f3s e tem passado mal constantemente por n\u00e3o saber se Alexandre conseguiria sair at\u00e9 o nascimento da beb\u00ea.<\/p>\n<p>J\u00e1 a m\u00e3e do mototaxista, vendeu a moto de Alexandre e sua geladeira para arrecadar dinheiro para pagar a defesa do filho.<\/p>\n<blockquote><p><em>Saber que ele vai sair d\u00e1 um al\u00edvio enorme. Ningu\u00e9m acreditou quando ele foi preso. \u00c9 um menino bom, trabalhador. Tive, inclusive, que vender a moto dele para tentar tir\u00e1-lo de l\u00e1. Mas o que importa \u00e9 que ele vai sair e conseguir provar a sua inoc\u00eancia, o resto a gente d\u00e1 um jeito e Deus ajuda<\/em>\u201d, disse Alessandra, que tem feito ainda rifas para ajudar no sustento da casa.<\/p><\/blockquote>\n<p>Segundo o advogado Tiago Monsores, Alexandre dos Reis Pereira Camargo deve deixar o pres\u00eddio Ary Franco, em \u00c1gua Santa, na Zona Norte do Rio, nos pr\u00f3ximos dias.<\/p>\n<p>A Pol\u00edcia Civil foi procurada para explicar a investiga\u00e7\u00e3o que levou \u00e0 pris\u00e3o do mototaxista.<\/p>\n<p>Em nota, disse que &#8220;a orienta\u00e7\u00e3o da atual gest\u00e3o de n\u00e3o utilizar o reconhecimento fotogr\u00e1fico como \u00fanica pe\u00e7a de prova vem sendo adotada, possuindo uma \u00fanica ocorr\u00eancia em an\u00e1lise. O caso abordado na reportagem foi durante gest\u00e3o anterior da secretaria e ser\u00e1 apurado se houve alguma irregularidade no reconhecimento realizado&#8221;.<\/p>\n<h3><strong>Erros na identifica\u00e7\u00e3o por foto<\/strong><\/h3>\n<p>Um levantamento de 2020 mostrou que cerca de 80% dos casos de erro por reconhecimento fotogr\u00e1fico acompanhados pela Defensoria P\u00fablica no Rio envolviam pessoas negras.<\/p>\n<p>O Instituto de Defesa da Popula\u00e7\u00e3o Negra (IDPN) acredita que nos \u00e1lbuns h\u00e1 muita fotos de pessoas inocentes tiradas durante abordagens policiais para simples averigua\u00e7\u00e3o. Essas imagens feitas sem autoriza\u00e7\u00e3o, e sem que haja uma acusa\u00e7\u00e3o concreta contra a pessoa, acabam sendo inclu\u00eddas nos arquivos das delegacias.<\/p>\n<p>\u201cA pol\u00edcia tem feito abordagens absolutamente ilegais e inconstitucionais em face de pessoas negras que est\u00e3o andando ou paradas na rua. Levam para delegacia e l\u00e1 tem sido feito o registro fotogr\u00e1fico dessas pessoas. Ao que parece, esses registros t\u00eam ido parar no \u00e1lbum da pol\u00edcia. Ent\u00e3o a nossa hip\u00f3tese \u00e9 que isso esteja ocorrendo entre outras situa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m\u201d, diz Djeff Amadeus, do IDPN.<\/p>\n<p>Em outubro do ano passado, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a decidiu que \u201co reconhecimento do suspeito por mera exibi\u00e7\u00e3o de fotografia(s) ao reconhecedor h\u00e1 de ser visto como etapa antecedente a eventual reconhecimento pessoal e, portanto, n\u00e3o pode servir como prova em a\u00e7\u00e3o penal, ainda que confirmado em ju\u00edzo.\u201d<\/p>\n<p><small>Mat\u00e9ria publicada originalmente pelo <a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/rj\/rio-de-janeiro\/noticia\/2021\/09\/16\/mototaxista-e-solto-apos-ficar-um-mes-preso-por-engano-no-rio.ghtml\">G1\/Globo<\/a>. Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Divulga\u00e7\u00e3o.<\/small><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alexandre dos Reis, de 23 anos, foi reconhecido por retrato 3&#215;4 de mais de 10 anos atr\u00e1s como sendo um dos participantes de um tiroteio no Morro da Provid\u00eancia em 2020. O mototaxista Alexandre dos Reis Pereira Camargo deixou a cadeia nesta quinta-feira (16). Ele, que tem 23 anos, ficou preso injustamente por um m\u00eas. A pris\u00e3o de Alexandre tinha sido revogada na v\u00e9spera pelo desembargador Paulo Rangel, da Terceira C\u00e2mara Criminal do Rio de Janeiro. O jovem foi preso no dia 10 de agosto desse ano ap\u00f3s reconhecimento fotogr\u00e1fico apontar que ele seria um dos traficantes que teria trocado tiros no dia 9 de julho de 2020, no Morro da Provid\u00eancia, na Regi\u00e3o Central do Rio. A foto que embasou o reconhecimento \u00e9 a da carteira de identidade de Alexandre, que foi parar no livro de identifica\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Civil do Rio de Janeiro, e tirada quando ele tinha 12 anos. H\u00e1 d\u00favidas quanto ao reconhecimento efetuado, eis que os fatos ocorreram \u00e0 noite, em uma situa\u00e7\u00e3o de extrema tens\u00e3o e a foto utilizada para reconhecimento seria de uma carteira de identidade expedida h\u00e1 10 anos atr\u00e1s. Ademais, n\u00e3o consta a origem do documento, nem o motivo pelo qual tal foto passou a constar no \u00e1lbum de pessoas suspeitas da Pol\u00edcia Civil. Da mesma forma, o paciente foi preso em uma cl\u00ednica vinculada ao DETRAN\/RJ, em Santa Cruz, perto de onde reside, para renova\u00e7\u00e3o de CNH, fato improv\u00e1vel para um traficante da periculosidade que se mostra nos autos\u201d, escreveu o desembargador aceitando a tese da defesa de Alexandre. Apesar a liberdade provis\u00f3ria conseguida, Alexandre ainda ter\u00e1 que responder ao processo judicial e se apresentar todo m\u00eas \u00e0 Justi\u00e7a durante a condu\u00e7\u00e3o do caso. \u201cEsse caso \u00e9 muito s\u00e9rio, mas n\u00e3o podemos achar culpados onde n\u00e3o existem. 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