{"id":11909,"date":"2021-10-08T10:01:00","date_gmt":"2021-10-08T10:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/?p=11909"},"modified":"2022-10-31T22:08:33","modified_gmt":"2022-10-31T22:08:33","slug":"solidariedade-salva-jovem-negra-de-injustica-e-a-faz-sonhar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/2021\/10\/08\/solidariedade-salva-jovem-negra-de-injustica-e-a-faz-sonhar\/","title":{"rendered":"Solidariedade salva jovem negra de injusti\u00e7a e a faz sonhar"},"content":{"rendered":"<h4><strong>Vaquinha virtual pode mudar a vida de Paloma da Silva Santos, presa por ter furtado carne, que iria vender para conseguir alimentar seu beb\u00ea e pagar o aluguel. Agora, ela quer ter uma casa<\/strong><\/h4>\n<p>A hist\u00f3ria da jovem desempregada Paloma da Silva Santos, v\u00edtima de uma decis\u00e3o desumana da Justi\u00e7a, tinha tudo para acabar mal. Por\u00e9m, gra\u00e7as \u00e0 solidariedade das pessoas, teve um final feliz.<\/p>\n<p>Aos 19 anos, negra e m\u00e3e solo do menino Pierre, de apenas 8 meses, ela se viu em uma situa\u00e7\u00e3o desesperadora, sem dinheiro para pagar o aluguel e alimentos, conforme acontece com milhares de brasileiros no pa\u00eds de Bolsonaro.<\/p>\n<p>Moradora do bairro de Manguinhos, no Rio de Janeiro, Paloma foi detida ap\u00f3s furtar pe\u00e7as de carne no Supermercado Guanabara. A Justi\u00e7a ignorou sua condi\u00e7\u00e3o e a for\u00e7ou a pagar R$ 500 para evitar a pris\u00e3o ao final do processo.<\/p>\n<p>O advogado Joel Luiz Costa, que est\u00e1 acompanhando o caso, conta que Paloma teve a ideia do furto porque estava sem comida em casa e n\u00e3o tinha como alimentar seu filho. O objetivo era vender as pe\u00e7as de carne, para que conseguisse comprar comida. \u201cParalelamente, ela pagaria o aluguel de um quartinho que tinha acabado de conseguir\u201d.<\/p>\n<p>\u201cTecnicamente, n\u00e3o houve uma condena\u00e7\u00e3o, mas, sim, um &#8216;acordo&#8217; de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal. Ou seja, a Justi\u00e7a ofereceu que ela pague R$ 500, em cinco parcelas de 100, para que n\u00e3o tivesse que passar por todo o processo e ser condenada ao final. Caso n\u00e3o pague, o processo volta a correr e ela corre o risco de ser condenada a uma pena de pris\u00e3o\u201d, relata Costa.<\/p>\n<p>Logo que ocorreu o fato, Paloma passou a ser assistida pela Defensoria P\u00fablica. Por\u00e9m, a hist\u00f3ria chegou ao conhecimento do Instituto de Defesa da Popula\u00e7\u00e3o Negra (IDPN), j\u00e1 ap\u00f3s o \u201cacordo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cTomei conhecimento do caso depois de uma a\u00e7\u00e3o social realizada por militantes de coletivos de favela, junto ao IDPN, que promovem atendimento jur\u00eddico gratuito \u00e0s fam\u00edlias v\u00edtimas do sistema penitenci\u00e1rio e distribui\u00e7\u00e3o de alimentos da Coaliz\u00e3o Negra por Direitos\u201d, conta o advogado.<\/p>\n<p>Paloma foi ao IDPN para obter ajuda e informa\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o a seu caso. No momento de fazer o cadastro, ela foi atendida por uma integrante de um dos coletivos que organizavam a a\u00e7\u00e3o, Stefani Santos, que atua na Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas (Renfa).<\/p>\n<p>\u201cStefani conversou com Paloma, entendeu melhor o caso e, em seguida, entrou em contato comigo para que pud\u00e9ssemos pensar em alguma forma de ajud\u00e1-la. Foi quando tivemos a ideia de arrecadar o valor, por meio de uma vaquinha na internet. O objetivo era conseguir o valor para cobrir o que foi determinado pela Justi\u00e7a e, o que viesse a mais, ela usaria em seu benef\u00edcio e de seu filho\u201d, explica Costa.<\/p>\n<h3><strong>Salva\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>O caso de Paloma sensibilizou as redes sociais e teve, como resultado, a ajuda de v\u00e1rias pessoas an\u00f4nimas. At\u00e9 18 horas desta sexta-feira, a campanha havia arrecadado nada menos do que R$ 46 mil.<\/p>\n<p>\u201cEu t\u00f4 muito feliz. O meu desejo \u00e9 comprar uma casa com um quarto para meu filho. Sair do aluguel. Poder dar as coisinhas dele, pra ele ter o que eu nunca tive, e esquecer esse passado ruim, que n\u00e3o vai mais se repetir\u201d, comemorou Paloma, ainda surpresa com o aux\u00edlio recebido.<\/p>\n<h3><strong>&#8220;Completo absurdo&#8221;<\/strong><\/h3>\n<p>A decis\u00e3o da Justi\u00e7a havia indignado o advogado: \u201cVemos que \u00e9 um completo absurdo e sem cabimento nenhum esse \u2018acordo\u2019, obrigando Paloma a pagar R$ 500 ao Estado por conta de um furto fam\u00e9lico, feito por quem estava sem dinheiro para colocar comida dentro de casa e alimentar seu filho beb\u00ea\u201d, avalia.<\/p>\n<p>\u201cUma jovem negra, m\u00e3e solo, passando por dificuldades financeiras e que trabalha vendendo bananada com seu filho no colo. Se ela furtou para comer, como ter\u00e1 R$ 500 para pagar ao Estado? Isso n\u00e3o faz sentido, e mostra como o ordenamento jur\u00eddico \u00e9 pensado totalmente dissociado do efetivo contexto social de um pa\u00eds pobre e que n\u00e3o superou as chagas sociais, como o racismo, machismo, classismo e demais opress\u00f5es\u201d, completa.<\/p>\n<p><small>Mat\u00e9ria publicada originalmente pela <a href=\"https:\/\/revistaforum.com.br\/direitos\/2021\/10\/8\/solidariedade-salva-jovem-negra-de-injustia-faz-sonhar-104464.html\">Revista F\u00f3rum<\/a>. Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Arquivo Pessoal.<\/small><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vaquinha virtual pode mudar a vida de Paloma da Silva Santos, presa por ter furtado carne, que iria vender para conseguir alimentar seu beb\u00ea e pagar o aluguel. Agora, ela quer ter uma casa A hist\u00f3ria da jovem desempregada Paloma da Silva Santos, v\u00edtima de uma decis\u00e3o desumana da Justi\u00e7a, tinha tudo para acabar mal. Por\u00e9m, gra\u00e7as \u00e0 solidariedade das pessoas, teve um final feliz. Aos 19 anos, negra e m\u00e3e solo do menino Pierre, de apenas 8 meses, ela se viu em uma situa\u00e7\u00e3o desesperadora, sem dinheiro para pagar o aluguel e alimentos, conforme acontece com milhares de brasileiros no pa\u00eds de Bolsonaro. Moradora do bairro de Manguinhos, no Rio de Janeiro, Paloma foi detida ap\u00f3s furtar pe\u00e7as de carne no Supermercado Guanabara. A Justi\u00e7a ignorou sua condi\u00e7\u00e3o e a for\u00e7ou a pagar R$ 500 para evitar a pris\u00e3o ao final do processo. O advogado Joel Luiz Costa, que est\u00e1 acompanhando o caso, conta que Paloma teve a ideia do furto porque estava sem comida em casa e n\u00e3o tinha como alimentar seu filho. O objetivo era vender as pe\u00e7as de carne, para que conseguisse comprar comida. \u201cParalelamente, ela pagaria o aluguel de um quartinho que tinha acabado de conseguir\u201d. \u201cTecnicamente, n\u00e3o houve uma condena\u00e7\u00e3o, mas, sim, um &#8216;acordo&#8217; de n\u00e3o persecu\u00e7\u00e3o penal. Ou seja, a Justi\u00e7a ofereceu que ela pague R$ 500, em cinco parcelas de 100, para que n\u00e3o tivesse que passar por todo o processo e ser condenada ao final. Caso n\u00e3o pague, o processo volta a correr e ela corre o risco de ser condenada a uma pena de pris\u00e3o\u201d, relata Costa. Logo que ocorreu o fato, Paloma passou a ser assistida pela Defensoria P\u00fablica. 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