{"id":11903,"date":"2021-11-18T18:30:00","date_gmt":"2021-11-18T18:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/?p=11903"},"modified":"2022-10-31T21:31:44","modified_gmt":"2022-10-31T21:31:44","slug":"influenciador-negro-abordado-por-pms-presta-queixa-e-policia-investiga-racismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/2021\/11\/18\/influenciador-negro-abordado-por-pms-presta-queixa-e-policia-investiga-racismo\/","title":{"rendered":"Influenciador negro abordado por PMs presta queixa, e pol\u00edcia investiga racismo"},"content":{"rendered":"<h4><strong>J\u00falio C\u00e9sar Dantas, de 31 anos, procurou a 5\u00aa DP, no centro do Rio, na tarde desta quinta-feira (18\/11)<\/strong><\/h4>\n<p>O influenciador e produtor cultural J\u00falio C\u00e9sar De S\u00e1 Dantas, de 31 anos, procurou a Pol\u00edcia Civil nesta quinta-feira (18) para denunciar uma abordagem racista sofrida por ele na \u00faltima quarta (17). A a\u00e7\u00e3o foi logo ap\u00f3s o rapaz ter sa\u00eddo de uma loja de roupas, no centro do Rio. O di\u00e1logo entre ele e os PMs foi transmitido ao vivo no perfil Carioquice Negra, do qual ele \u00e9 dono e tem mais de 800 mil seguidores nas redes sociais.<\/p>\n<p>No v\u00eddeo, ele logo questiona o motivo da abordagem e recebe como resposta que teria entrado e sa\u00eddo muito r\u00e1pido do estabelecimento. Ao longo da a\u00e7\u00e3o, J\u00falio questiona se o verdadeiro fato era a cor de sua pele.<\/p>\n<p>Em outro trecho, um dos policiais tamb\u00e9m afirma que J\u00falio teria apresentado um volume suspeito na cintura. O jovem levanta a blusa e mostra que n\u00e3o havia qualquer objeto. Um agente chega a dizer que o volume poderia ser efeito do vento na camisa. O produtor de eventos, ent\u00e3o, nega-se a entregar a identifica\u00e7\u00e3o por entender que n\u00e3o havia um motivo concreto para a abordagem e passa a ser acusado de desobedi\u00eancia. No in\u00edcio, \u00e9 poss\u00edvel identificar dois policiais, mas logo o n\u00famero cresce e chega a seis, segundo narra o rapaz.<\/p>\n<p>J\u00falio foi conduzido para a 5\u00aa Delegacia de Pol\u00edcia Civil, no Centro da cidade, mesma delegacia onde, nesta quinta-feira (18), ele registrou queixa contra a abordagem.<\/p>\n<p>\u201cInc\u00f4modo gigante de saber que n\u00e3o \u00e9 uma coisa nova, que n\u00e3o foi a \u00faltima vez, que nas \u00faltimas 24 horas aconteceu de novo. Eu t\u00f4 aqui pra que essa pauta seja questionada, discutida, que as institui\u00e7\u00f5es levantem essa pauta e reverberem, pra mudar essa forma de abordagem. Ali eram duas da tarde, fiquei imaginando se fosse tarde da noite o que seria\u201d, disse J\u00falio, \u00e0 CNN.<\/p>\n<p>O influenciador estava acompanhado de advogados do Instituto de Defesa da Popula\u00e7\u00e3o Negra (IDPN), que comentaram o caso.<\/p>\n<p>\u201cA gente n\u00e3o quer que o policial seja pintado como o \u00fanico causador do dano que o J\u00falio vivenciou, mas sim que a gente possa questionar a estrutura que possibilita isso. Debater a atua\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia na seletividade da a\u00e7\u00e3o. N\u00e3o podemos naturalizar isso\u201d, afirmou Joel Luiz da Costa, que ap\u00f3s a entrevista, confirmou a abertura de uma investiga\u00e7\u00e3o por racismo.<\/p>\n<p>Procurada pela CNN sobre a den\u00fancia do produtor cultural, a Opera\u00e7\u00e3o Seguran\u00e7a Presente (OSP) se manifestou pela seguinte nota: \u201cOs policiais do Centro Presente estavam a patrulhando a regi\u00e3o do Centro e suspeitaram do rapaz que, segundo eles, demonstrou insatisfa\u00e7\u00e3o com a aproxima\u00e7\u00e3o policial e pareceu querer se desvencilhar dos agentes entrando em uma loja. Os policiais se aproximaram do rapaz e pediram para que ele se identificasse. Por\u00e9m, ele se recusou e, por isso, foi conduzido \u00e0 delegacia para que fosse identificado. Na delegacia ele foi identificado, nada foi constatado e foi liberado.\u201d<\/p>\n<p>A CNN tamb\u00e9m pediu nota \u00e0 Pol\u00edcia Civil e aguarda o retorno.<\/p>\n<p>Para Rodrigo Mondego, vice-presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos do Rio de Janeiro e procurador da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a abordagem policial precisa ser fundamentada em alguma suspeita concreta de crime cometido.<\/p>\n<p>\u201cQuando n\u00e3o h\u00e1 motiva\u00e7\u00e3o para a abordagem e a pessoa \u00e9 levada para a delegacia sem justificativa, caracteriza-se abuso de autoridade. A pessoa s\u00f3 pode ser detida em caso de flagrante delito, em caso de um crime, ou por determina\u00e7\u00e3o judicial. Ningu\u00e9m pode ser detido para averigua\u00e7\u00e3o. Esse \u00e9 um instrumento usado na ditadura. \u00c9 uma viola\u00e7\u00e3o \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o e ao C\u00f3digo do Processo Penal. Ser preto n\u00e3o \u00e9 uma atitude suspeita\u201d, pontuou Mondego.<\/p>\n<p><small>Mat\u00e9ria publicada originalmente pela <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/nacional\/influenciador-negro-abordado-por-pms-presta-queixa-e-policia-investiga-racismo\/\">CNN<\/a>. Imagem: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Cleber Rodrigues\/CNN.<\/small><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00falio C\u00e9sar Dantas, de 31 anos, procurou a 5\u00aa DP, no centro do Rio, na tarde desta quinta-feira (18\/11) O influenciador e produtor cultural J\u00falio C\u00e9sar De S\u00e1 Dantas, de 31 anos, procurou a Pol\u00edcia Civil nesta quinta-feira (18) para denunciar uma abordagem racista sofrida por ele na \u00faltima quarta (17). A a\u00e7\u00e3o foi logo ap\u00f3s o rapaz ter sa\u00eddo de uma loja de roupas, no centro do Rio. O di\u00e1logo entre ele e os PMs foi transmitido ao vivo no perfil Carioquice Negra, do qual ele \u00e9 dono e tem mais de 800 mil seguidores nas redes sociais. No v\u00eddeo, ele logo questiona o motivo da abordagem e recebe como resposta que teria entrado e sa\u00eddo muito r\u00e1pido do estabelecimento. Ao longo da a\u00e7\u00e3o, J\u00falio questiona se o verdadeiro fato era a cor de sua pele. Em outro trecho, um dos policiais tamb\u00e9m afirma que J\u00falio teria apresentado um volume suspeito na cintura. O jovem levanta a blusa e mostra que n\u00e3o havia qualquer objeto. Um agente chega a dizer que o volume poderia ser efeito do vento na camisa. O produtor de eventos, ent\u00e3o, nega-se a entregar a identifica\u00e7\u00e3o por entender que n\u00e3o havia um motivo concreto para a abordagem e passa a ser acusado de desobedi\u00eancia. No in\u00edcio, \u00e9 poss\u00edvel identificar dois policiais, mas logo o n\u00famero cresce e chega a seis, segundo narra o rapaz. J\u00falio foi conduzido para a 5\u00aa Delegacia de Pol\u00edcia Civil, no Centro da cidade, mesma delegacia onde, nesta quinta-feira (18), ele registrou queixa contra a abordagem. \u201cInc\u00f4modo gigante de saber que n\u00e3o \u00e9 uma coisa nova, que n\u00e3o foi a \u00faltima vez, que nas \u00faltimas 24 horas aconteceu de novo. 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