{"id":11712,"date":"2022-08-08T22:55:50","date_gmt":"2022-08-08T22:55:50","guid":{"rendered":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/?p=11712"},"modified":"2022-08-08T22:55:52","modified_gmt":"2022-08-08T22:55:52","slug":"datafolha-maioria-nao-conhece-projeto-de-ocupacao-de-favelas-no-rj-mas-o-apoia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutodpn.org\/website\/2022\/08\/08\/datafolha-maioria-nao-conhece-projeto-de-ocupacao-de-favelas-no-rj-mas-o-apoia\/","title":{"rendered":"Datafolha: Maioria n\u00e3o conhece projeto de ocupa\u00e7\u00e3o de favelas no RJ, mas o apoia"},"content":{"rendered":"\n<p>A maioria dos cariocas n\u00e3o conhece o principal programa de seguran\u00e7a p\u00fablica do governador Cl\u00e1udio Castro (PL), mas ainda assim o apoia, indica pesquisa do Datafolha. \u00c9 o chamado Cidade Integrada, que prometeu ocupar as favelas do Jacarezinho e da Muzema.<\/p>\n\n\n\n<p>O levantamento indica que 59% dos moradores da cidade do Rio de Janeiro nunca ouviram falar do projeto e, entre os que sabem da sua exist\u00eancia, apenas 6% se consideram bem informados. Apesar disso, 59% se dizem a favor da iniciativa e 11%, contra \u2014um ter\u00e7o \u00e9 indiferente ou n\u00e3o soube responder.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Pr\u00e9-candidato \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o, Castro deu o pontap\u00e9 inicial do Cidade Integrada em janeiro, quando mais de mil policiais entraram sem resist\u00eancia nas duas comunidades. A primeira fica na zona norte da cidade e \u00e9 comandada pelo tr\u00e1fico de drogas, a segunda fica na zona oeste e \u00e9 dominada por uma mil\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia \u00e9 retomar esses territ\u00f3rios e abrir caminho para servi\u00e7os p\u00fablicos, \u00e0 semelhan\u00e7a das UPPs (Unidades de Pol\u00edcia Pacificadora), hoje decadentes. Ambos servem como uma esp\u00e9cie de projeto-piloto, com investimento previsto de R$ 500 milh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O Datafolha aponta que o apoio ao programa \u00e9 ligeiramente maior entre negros, menos escolarizados e moradores da zona norte, ainda que as diferen\u00e7as estejam dentro da margem de erro, de tr\u00eas pontos percentuais. Foram entrevistados 644 moradores do munic\u00edpio de 5 a 7 de abril.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Talvez a alta aprova\u00e7\u00e3o tenha a ver com a mem\u00f3ria das pessoas sobre as UPPs, que at\u00e9 o momento de fal\u00eancia reduziu indicadores e eram muito bem avaliadas pela popula\u00e7\u00e3o&#8221;, diz o soci\u00f3logo Daniel Hirata, coordenador do Geni-UFF (Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Me parece o resultado de uma car\u00eancia por qualquer a\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a p\u00fablica, principalmente entre os que mais sofrem com a falta dela. Mesmo n\u00e3o conhecendo, as pessoas aprovam&#8221;, acrescenta o coronel da reserva Robson Rodrigues, ex-comandante da PM e pesquisador da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro).<\/p>\n\n\n\n<p><br>J\u00e1 para o advogado Joel Luiz Costa, morador do Jacarezinho, coordenador do Observat\u00f3rio Cidade Integrada e coordenador do Instituto de Defesa da Popula\u00e7\u00e3o Negra (IDPN), &#8220;a leitura da sociedade \u00e9 de que a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para a favela \u00e9 a pol\u00edcia&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa indica que a tentativa de associar o Cidade Integrada ao nome de Castro, que faz divulga\u00e7\u00f5es constantes das a\u00e7\u00f5es, pode estar dando certo: o apoio ao projeto \u00e9 maior entre seus eleitores (71% s\u00e3o a favor) e entre os que acham sua gest\u00e3o boa ou \u00f3tima (77%).<\/p>\n\n\n\n<p>Procurado pela reportagem, o governo destacou a\u00e7\u00f5es j\u00e1 realizadas, como a concess\u00e3o de cr\u00e9dito para mais de 7.000 microempreendedores e o cadastro de 900 moradores para regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria. A PM tamb\u00e9m afirmou que prendeu 123 suspeitos e que os roubos de rua na regi\u00e3o diminu\u00edram 34%.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Joel, do Observat\u00f3rio, por\u00e9m, &#8220;s\u00e3o pol\u00edticas muito rasas para o estardalha\u00e7o que foi feito e, sobretudo, para o impacto causado na vida de 50 mil pessoas&#8221;. Ele critica o com\u00e9rcio vazio, a invas\u00e3o de casas por policiais e a promessa de um conselho comunit\u00e1rio que n\u00e3o foi formado.<\/p>\n\n\n\n<p>Hirata, do Geni-UFF, diz que, na Muzema, &#8220;est\u00e1 previsto o vale g\u00e1s para evitar o dom\u00ednio da mil\u00edcia nesse setor, mas os relatos aos pesquisadores do grupo apontam que os criminosos est\u00e3o aumentando os valores de outras extors\u00f5es&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>88% APROVAM O SEGURAN\u00c7A PRESENTE<\/strong><br>O Datafolha tamb\u00e9m mediu a impress\u00e3o do carioca sobre outro projeto no estado, o chamado Seguran\u00e7a Presente, de policiamento de proximidade. A iniciativa \u00e9 bem mais conhecida (por 79%, sendo que 33% se dizem bem informados) e largamente apoiada (88% s\u00e3o a favor e apenas 6%, contra).<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, s\u00e3o duplas ou trios \u2014formados por policiais militares de folga, agentes civis egressos das For\u00e7as Armadas e assistentes sociais\u2014 que patrulham determinadas \u00e1reas usando um colete colorido, para promover o ordenamento urbano, coibir roubos e acolher moradores de rua.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele surgiu em 2014, financiado por comerciantes do centro da cidade, num contexto de grave crise financeira do RJ e v\u00e1cuo do Estado. Oito anos depois, se expandiu para 33 localidades, incluindo cidades da Baixada Fluminense, Niter\u00f3i e S\u00e3o Gon\u00e7alo, e agora \u00e9 custeado unicamente pelo governo.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Um ter\u00e7o dos moradores da capital diz ter equipes do programa em seu bairro, mas a pesquisa confirma que elas est\u00e3o concentradas nas regi\u00f5es com mais recursos. Essa porcentagem \u00e9 de 89% na zona sul, 68% no centro, 29% na zona oeste e 22% na norte.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto 82% das pessoas com renda familiar superior a dez sal\u00e1rios m\u00ednimos veem o Seguran\u00e7a Presente em volta de casa, apenas 22% dos que recebem abaixo de dois sal\u00e1rios contam com o servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o ex-comandante da PM Robson Rodrigues, que estuda o programa h\u00e1 quatro anos, h\u00e1 aspectos positivos como a motiva\u00e7\u00e3o dos agentes e a humaniza\u00e7\u00e3o do trabalho policial, mas a iniciativa representa uma contradi\u00e7\u00e3o: &#8220;Eles s\u00e3o pagos para fazer o que a pol\u00edcia n\u00e3o est\u00e1 fazendo&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, o programa se aproveita da sensa\u00e7\u00e3o de medo da popula\u00e7\u00e3o. &#8220;H\u00e1 um n\u00edvel de satisfa\u00e7\u00e3o porque ele resolve o problema de forma superficial. As pessoas n\u00e3o entendem que \u00e9 algo paliativo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Outras rodadas da pesquisa Datafolha demonstram isso. A falta de policiamento \u00e9 o principal problema da seguran\u00e7a p\u00fablica para os fluminenses (16% disseram isso espontaneamente). O temor de assaltos na rua atinge 87%, e de assalto no sem\u00e1foro, 82%.\u200b<\/p>\n\n\n\n<p>Mat\u00e9ria publicada originalmente pelo<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2022\/04\/datafolha-maioria-nao-conhece-projeto-de-ocupacao-de-favelas-no-rj-mas-o-apoia.shtml\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2022\/04\/datafolha-maioria-nao-conhece-projeto-de-ocupacao-de-favelas-no-rj-mas-o-apoia.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"> jornal Folha de S\u00e3o Paulo<\/a>. Imagem: T\u00e9rcio Teixeira &#8211; 26.jan.22 \/ Folhapress<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maioria dos cariocas n\u00e3o conhece o principal programa de seguran\u00e7a p\u00fablica do governador Cl\u00e1udio Castro (PL), mas ainda assim o apoia, indica pesquisa do Datafolha. \u00c9 o chamado Cidade Integrada, que prometeu ocupar as favelas do Jacarezinho e da Muzema. O levantamento indica que 59% dos moradores da cidade do Rio de Janeiro nunca ouviram falar do projeto e, entre os que sabem da sua exist\u00eancia, apenas 6% se consideram bem informados. Apesar disso, 59% se dizem a favor da iniciativa e 11%, contra \u2014um ter\u00e7o \u00e9 indiferente ou n\u00e3o soube responder. Pr\u00e9-candidato \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o, Castro deu o pontap\u00e9 inicial do Cidade Integrada em janeiro, quando mais de mil policiais entraram sem resist\u00eancia nas duas comunidades. A primeira fica na zona norte da cidade e \u00e9 comandada pelo tr\u00e1fico de drogas, a segunda fica na zona oeste e \u00e9 dominada por uma mil\u00edcia. A ideia \u00e9 retomar esses territ\u00f3rios e abrir caminho para servi\u00e7os p\u00fablicos, \u00e0 semelhan\u00e7a das UPPs (Unidades de Pol\u00edcia Pacificadora), hoje decadentes. Ambos servem como uma esp\u00e9cie de projeto-piloto, com investimento previsto de R$ 500 milh\u00f5es. O Datafolha aponta que o apoio ao programa \u00e9 ligeiramente maior entre negros, menos escolarizados e moradores da zona norte, ainda que as diferen\u00e7as estejam dentro da margem de erro, de tr\u00eas pontos percentuais. Foram entrevistados 644 moradores do munic\u00edpio de 5 a 7 de abril. &#8220;Talvez a alta aprova\u00e7\u00e3o tenha a ver com a mem\u00f3ria das pessoas sobre as UPPs, que at\u00e9 o momento de fal\u00eancia reduziu indicadores e eram muito bem avaliadas pela popula\u00e7\u00e3o&#8221;, diz o soci\u00f3logo Daniel Hirata, coordenador do Geni-UFF (Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense). &#8220;Me parece o resultado de uma car\u00eancia por qualquer a\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a p\u00fablica, principalmente entre os que mais sofrem com a falta dela. 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